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domingo, 21 de julho de 2013

As crianças verdes de Woolpit.



Esse mistério que virou uma lenda urbana, está há um bom tempo passando de geração. 
E, por isso que em algumas partes do Reino Unido, os camponeses tem o hábito de trancar os poços de suas propriedades quando não estão utilizando eles. A lenda tem origem numa história começou que dizem, ocorrem há muito tempo atrás; as duas notáveis crianças foram descobertas na vila de Woolpit, em Suffolk no Reino Unido. 
O incidente se deu durante o regime do rei Stephen da Inglaterra (1135-1154), numa época difícil. 
Os camponeses estavam trabalhando quando as duas crianças, um garoto e uma garota, repentinamente emergiram de um fosso profundo. As pessoas ficaram de olhos arregalados diante do fato.
Estavam vestidas com roupas de material nada familiar e suas peles eram verdes. Era impossível falar com eles porque tinham um dialeto desconhecido. Os dois foram levados para o dono do feudo, Sir Richard de Caline. Obviamente, eles estavam tristes e choraram por vários dias.
Os pequenos esverdeados se recusaram a comer e a beber qualquer coisa até que alguém ofereceu feijão ainda no talo para eles. Eles sobreviveram comendo feijão por vários meses. Mais tarde eles começaram a comer pão. O tempo passou, o pequeno e esverdeado garoto entrou em depressão, adoeceu e morreu. A garota adaptou-se melhor a sua nova situação. Ela aprendeu a falar inglês e gradualmente sua pele foi perdendo a cor verde. Mais tarde se tornou uma saudável jovem e se casou.
Ela era sempre perguntada sobre seu passado e de onde tinha vindo, mas tudo que falava só fazia aumentar o mistério sobre suas origens. Explicava que seu irmão e ela tinham vindo de “uma terra sem sol”, com um perpétuo crepúsculo. Todos os habitantes eram verdes. Ela não tinha certeza exata onde se localizava sua terra. Ainda, ela chamava de “Luminous” a outra terra, que era cruzada por um “rio considerável” separando o mundo deles.
Também são inexplicáveis como as crianças apareceram naquele fosso. A garotinha disse que ela e seu irmão estavam procurando o rebanho do pai e seguiram por caverna escutando o som dos sinos. Vagaram na escuridão por um longo tempo até que acharam uma saída; de repente, eles ficaram cegos por um clarão de luz.
A luz do sol e a temperatura diferente deixaram-nos cansados; descansavam quando ouviram vozes, viram pessoas estranhas e tentaram fugir. Entretanto, não tiveram tempo de se mover da boca do fosso onde foram descobertos. As fontes originais dessa história são William de Newburgh e Ralph de Coggeeshall, dois cronistas ingleses do século 12.
Muitas explicações têm aparecido para o enigma das crianças verdes. Uma das teorias sugeridas é que as crianças eram imigrantes flamengas que sofreram perseguição. Seus pais teriam sido mortos e o garoto e a garota se esconderam na floresta. Esta idéia explicaria as roupas diferentes, mas não esclarece o fato das crianças falarem uma língua desconhecida, embora alguns habitantes locais achassem que era uma corruptela de flamengo.
Outros sugerem má nutrição ou o envenenamento por arsênico como a causa da pele verde. Também havia um rumor que um tio tentou envenenar as crianças, mas isso nunca foi confirmado. No entanto, outras pessoas como o astrônomo escocês, Duncan Lunan, sugeriam que as crianças eram alienígenas enviados de outro planeta para a Terra.
De acordo com outras teorias, as crianças vieram de um reino subterrâneo ou, possivelmente, de outra dimensão. Poderiam as crianças verdes de Woolpit ter vindo de um mundo paralelo, um lugar invisível ao olho nu? É importante lembrar que a garota disse que “não havia sol” no lugar de onde ela teria vindo. Disto se pode deduzir que ela habitava de um mundo subterrâneo. A verdadeira origem das crianças nunca foi descoberta e este caso continua um mistério.
Entre as teorias a que ficou mais famosa entre os camponeses foi a do mundo subterrâneo. Isso fez com eles adotassem o hábito de trancar os poços, pois acreditam ser a passagem desses seres para o nosso mundo. Essa lenda já foi mais difundida pelo Reino Unido, hoje se restringem há algumas regiões rurais. Hora ou outra, aparece uma cabra mutilada ou com ferimentos incomuns e a lenda volta a ganhar força.

domingo, 12 de maio de 2013

A menina e o cachorro




Os pais de uma pequena garota haviam saído, e por isso estava sozinha em casa apenas com seu cachorro para a proteger. Quando a noite chegou, ela trancou todas as portas e tentou trancar todas as janelas mas uma se recusava a fechar.
Ela decidiu deixar a janela destrancada, até pensou em se refrescar, e então foi para cama. Seu cachorro tomou seu lugar de costume em baixo da cama.
No meio da noite ela acorda por causa de um som de gotas vindo do banheiro. A menina está muito assustada para ir ver o que era então ela estendeu sua mão para baixo da cama. Ela sentiu a lambida de seu cachorro e então voltou a dormir.
Ela acorda novamente por causa do som das gotas, estende sua mão para baixo da cama, sente a lambida de seu cachorro e volta a dormir. Mais uma vez ela acorda, estende a mão e sente a lambida.

Agora curiosa sobre o som das gotas, ela se levanta e lentamente anda até o banheiro, o som dos pingos foi ficando mais alto de acordo que ela ia se aproximando. Ela chega no banheiro e liga a luz. Ela é recebida por um horrível sinal; pendurado no chuveiro estava seu cachorro com a garganta cortada e o sangue caindo na banheira.
Alguma coisa no espelho do banheiro chamou sua atenção e ela virou. Escrito no espelho com o sangue de seu cachorro estavam as palavras "Humanos Também Sabem Lamber"

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A lenda japonesa de Happyakubikuni




Happyakubikuni é uma lenda japonesa que fala a respeito de sereias. Ao redor de todo o planeta existem diferentes lendas, a respeito destes seres fantásticos. No Japão a lenda é mais ou menos assim:

"No ano de 654, nasceu a filha de Takahashi, um homem poderoso e de grandes posses. A garota era perfeita e muito amada por sua família, e ao completar 16 anos, foi convidada junto à sua família para jantar na casa de um misterioso homem que aparecera como que do nada na vila, misturando-se aos outros habitantes.
Takahashi, sua família e mais alguns vizinhos foram até a casa do homem e lá se depararam com uma moradia extremamente luxuosa. Ainda que abismados com o tamanho do lugar, o homem os guiou por toda sua casa, mostrando-a de bom grado a eles. Mas, ao chegarem à cozinha, viram sobre a tábua de carne algo intrigante. Dois cozinheiros, parados próximos à tábua, cochichavam entre si, espantados com o que teriam de preparar.

-O que é isso..?'
-É isso que teremos de cozinhar?'
Takahashi pôde ouvir o receio no tom dos homens, e sabia que não era para menos. Sobre a tábua repousava uma criatura pequena; dos ombros para baixo era como um peixe, mas possuía dois braços esbranquiçados e uma cabeça infantil de cabelos ressecados. Na mão de um dos cozinheiros havia uma faca, mas ele não parecia muito à vontade em usá-la...
Algum tempo depois a refeição foi servida, mas nenhum dos convidados parecia conseguir tocar a comida, enojados. Takahashi, disposto a ir embora o quanto antes, resolveu despedir-se rapidamente, mas o homem entregou-lhe um embrulho com a carne da criatura embalada, como presente.
Ao voltar para sua casa, a filha de Takahashi parecia extremamente interessada no presente que seu pai recebera, e num descuido do mesmo, acabou comendo um pedaço, mas a surpresa fora imediata: a carne tinha um sabor inigualável, e tomada por seu gosto maravilhoso, a garota acabou comendo tudo que haviam recebido como cortesia.
Desse dia em diante a garota nunca mais envelheceu.
Muitos anos depois da morte de seus pais e familiares, a garota decidiu raspar todo seu cabelo e adotar o nome de Happyakubikuni. Ela peregrinou pelo país, pregando as doutrinas do budismo e levando palavras de fé para as pessoas. Diz-se que após "completar sua missão" ela se refugiou em uma gruta e de lá nunca mais saiu."


terça-feira, 30 de abril de 2013

Spring Heeled Jack






Em suas descrições ele aparentava ser um cavalheiro alto, magro, usando um casaco negro e capa. De feições aquilinas, queixo pontudo e com orelhas grandes e afiladas. Um homem de aspecto demoníaco capaz de pular de cinco a dez metros de altura na vertical. Um homem de olhos vermelhos brilhantes como faroletes e capaz de vomitar chamas brancas e azuis. Um homem a prova de balas e que usava garras metálicas em seus dedos. Um demônio travesso a solta pelos telhados. Um psicopata em posse de tecnologia a frente de seu tempo.

O terror de Londres.

Lendas urbanas existem desde que as primeiras cidades surgiram, e casos estranhos ou inexplicáveis há muito mais tempo que isso, mas a história de Spring Heeled Jack tem um diferencial. Foi a primeira a ser oficialmente registrada como um fenômeno real, e mais do que isso, uma ameaça a segurança publica. 

Muitas teorias já foram formadas sobre quem teria sido Jack; sua aparência peculiar, e sua habilidade de dar saltos extraordinários lhe renderam uma popularidade tamanha que de ameaça publica, ele passou a ser o assunto de diversas obras de ficção.

O primeiro avistamento ocorreu em Setembro de 1837, quando um respeitável homem de negócios voltava para casa tarde da noite, ao fazer uso de um atalho, o cavalheiro em questão presenciou o mais notável feito de uma figura sombria que surgiu em seu caminho. Um estranho misterioso cruzou seu caminho após ter saltado os portões do pequeno cemitério que ladeava o atalho. Um salto apenas, sobre um portão de no minimo três metros de altura. O estranho foi descrito como tendo o nariz, queixo e orelhas grandes e pontudos, e olhos que brilhavam como lanternas.


Pouco tempo depois foi dito que a mesma figura cruzou o caminho de um grupo de pessoas, três mulheres e um homem. Assustados, todos correram, menos uma mulher chamada Polly Adams, que tendo ficado para trás, foi alcançada pelo estranho que rasgou sua blusa e arranhou sua barriga, o choque fez Adams desmaiar, e ela foi mais tarde encontrada por um policial em patrulha.

Um mês mais tarde, uma garota que atendia pelo nome de Mary Stevens, se dirigia a seu trabalho em Lavender Hill, após uma visita aos pais que moravam em Battersea. Segundo consta em sua declaração, quando já se encontrava em Clapham Commom (na passagem com o tranquilizante nome de Cut Throat Lane), uma estranha figura saltou sobre ela vindo de um beco escuro. Após imobilizá-la, segurando seus braços com uma das mãos, o estranho beijou se rosto e a apalpou com uma mão “fria e mole com a de um cadáver”. Em pânico, a garota gritou, o que fez seu atacante fugir rapidamente. Os gritos atraíram vários residentes do local que se puseram a buscar o agressor, mas ninguém foi encontrado.

No dia seguinte o estranho foi avistado em um local próximo a casa de Mary Stevens. Ele saltou em frente a uma carruagem que passava, fazendo com que o condutor perdesse o controle dos cavalos, e colidisse o carro, se machucando seriamente na colisão. Testemunhas afirma ter visto o estranho fugir pulando um muro de mais de dois metros sem o minimo esforço, enquanto ria uma gargalhada estridente. Pouco depois do incidente da carruagem, outra mulher foi atacada perto de Clapham Curch. Neste incidente foram deixadas evidências físicas do assaltante. Os investigadores descobriram duas pegadas com 7 ou 8 centímetros de profundidade. A profundidade das pegadas sugeriram aos investigadores que o atacante usava algum tipo de mecanismo de molas em seus calçados, como os que haviam sido testados pelos alemães durante a guerra (embora tais aparatos tivesse resultado em falhas em 85% dos testes, pois o impacto causava fraturas nas pernas e quadris).

Mas isso foi o suficiente para os boatos, já abundantes, correrem, e logo a imprensa e o publico deram ao misterioso maníaco o apelido Spring-heeled Jack (Jack calcanhar de mola).


Alguns meses depois, em 9 Janeiro de 1838, o Prefeito de Londres, Sir John Cowan declarou Spring Heeled Jack uma ameaça publica. Em uma sessão publica conduzida na Mansion House, o Prefeito revelou uma reclamação que recebera de um residente de Peckham, e que mantivera em segredo até obter novas informações. A carta relatava diversos ataques em vilas perto de Londres, todos feitos por algum indivíduo, ou mais de um, disfarçado de assombração, urso, ou diabo. Tal indivíduo, ou indivíduos teria invadido jardins assustando os moradores das residências, e já tendo causado desmaios em sete diferentes moças; duas das quais que teriam ficado com graves sequelas nervosas, e provavelmente se tornando fardos para suas respectivas famílias. Eu uma das casas, ele teria tocado o sino de uma residência, e quando a servente da casa abriu a porta, o choque do susto foi tamanho que a moça teria perdido os sentidos e entrado em choque, do qual até o momento não saíra.

Embora o prefeito tenha permanecido cético, membros da audiência confirmaram que garotas de“Kensigton, Hammersmith e Ealing já haviam contado sobre este espectro ou demônio”. O assunto foi reportado no The Times daquele dia, e em outros jornais Ingleses no dia seguinte. E um dia depois (11 de Janeiro), a mesa do prefeito se mostrava repleta de cartas de diversos locais de Londres, reclamando de “truques perversos” que estavam sendo pregados. A grande quantidade de cartas sugere que a história já havia se espalhado por todo o subúrbio de Londres. Um dos correspondentes afirmou que diversas jovens em Hammersmith haviam sido assustadas ao ponto de terem ataques, e algumas teriam sido “seriamente feridas pelos que pareciam ser as garras que o descrente usava em suas mãos”. Outro clamava que várias pessoas em Brixton, Camberwell, Stockwell e Vauxhall teriam morrido de medo, ou tido ataques; e outro ainda dizia que o misterioso assaltante teria sido avistado repetidamente em Blackheath e em Lewisham.


Um relato do The Brighton Gazette foi publicado no The Times de 14 de Abril de 1838 contava como um jardineiro em Rosehill, Sussex, fora aterrorizado por um desconhecido vestido de urso. E embora o incidente não lembrasse muito os outros, o The Times afirmou que “Spring Heeled Jack aparentemente achou o caminho da costa de Sussex”. O incidente ocorrera no dia 13, e o jardineiro fora perseguido por uma criatura usando uma pele de urso, e que saltou o muro logo depois.

O Prefeito achava que “grandes exageros” havia sido feitos, e que era impossível “que uma assombração realizasse os feitos de um demônio sobre a terra”, mas por outro lado, pessoas de sua confiança haviam lhe informado de uma servente em Forest Hill que teria sido assustada ao ponto de ter ataques, por uma figura usando uma pele de urso. Confiante de que a pessoa, ou pessoas, envolvidas nesta “pantomima perversa” seriam capturadas e punidas, a policia foi instruída a manter vigilância e recompensas foram oferecidas.

Grupos de busca oficiais e voluntários foram formados para caçar o indivíduo responsável pelos ataques. E apesar das vítimas normalmente não saírem com ferimentos mais graves que arranhões dos ataques de Jack, pelo menos um assassinato foi atribuído a ele uma vez.

Foi durante esta época que o grande Duque de Wellington, já com 70 anos na época, se juntou a busca, e, de acordo com os boatos, ficou frente a frente com Spring Heeled Jack mais de uma vez. Mas os grupos nunca conseguiram encontrar Spring Heeled Jack, e nos meses seguintes, os ataques se intensificaram.

Os casos de Scales & Alsop

Talvez os incidentes mais conhecidos envolvendo Spring Heeled Jack foram os ataques a duas adolescentes, Lucy Scales e Jane Alsop, em Fevereiro de 1838, ambos com apenas alguns dias de distância entre si. Os casos foram amplamente coberto pelos jornais da época, incluindo o The Times.

As 8:30 PM, Lucy Scales, com 18 anos de idade, e sua irmã mais nova Margaret, retornavam para casa após visitar seu irmão, um açougueiro que morava em uma área respeitável de Limehouse. A senhorita Scales afirmou em seu depoimento que ela e a irmã, estavam passando por Green Dragon Alley quando viram uma pessoa parada perto da passagem. Assim que se passou perto da pessoa, que usava uma longa capa negra, Scales que andava a frente de sua irmã, foi surpreendida quando o estranho cuspiu uma chama azul em seu rosto, cegando-a. O choque foi tamanho que Scales imediatamente foi ao chão, acometida por violentas convulsões que continuaram por horas. Após o ataque, foi dito que a pessoa fugiu, saltando para o telhado de uma casa.


O irmão de Lucy, teria escutado os gritos de suas irmãs, que há pouco havia deixado sua casa, e correu para ajudá-las, as encontrando em Green Dragon Alley. Lucy foi levada para casa e lá, Margaret contou o que havia ocorrido. Ela descreveu o atacante como alguém alto, magro, e que aparentava ser um cavalheiro. 

Usava um longa capa, e carregava uma pequena lanterna como as usadas pela policia. O indivíduo não falara nada ou tentara tocá-las, ao invés disso, fugiu rapidamente. A polícia investigou, e interrogou várias pessoas tentando encontrar o autor do ataque, mas tudo foi infrutífero.

A lenda crescia, e com ela a audácia de Jack.

Jane Alsop, também de 18 anos, morava em Bearhind Lane, no distrito de Bow, e estava em casa quando lhe bateram a porta. Do lado de fora estava um homem usando uma capa negra que afirmou ser um policial (uma capa negra fazia parte do uniforme policial da época). O homem pedia alguma fonte de luz, afirmando que haviam encurralado Spring Heeled Jack. Jane, que vivia com seu pai e duas irmãs, correu para buscar uma lanterna para o homem. No momento em que entregava uma vela acesa ao homem, o mesmo retirou sua capa, e “apresentou a mais hedionda e assustadora aparência”, vomitando chamas brancas e azuis de sua boca, enquanto seus olhos brilhavam vermelhos como dois faroletes vermelhos. Alsop declarou que o homem usava uma espécie de elmo, ou capacete em sua cabeça, e que suas roupas eram bem ajustadas, lembrando um macacão de lona branca por baixo do casaco, onde parecia haver uma estrutura de tiras de metal a guisa de costelas. Ela tentou correr de volta para casa, mas o estranho a segurou pelos cabelos e rasgou seu vestido com suas garras, (que Alsop afirmou serem “certamente de alguma substância metálica”) que ele usava nas mãos. A jovem gritou por ajuda, e conseguiu soltar-se dele e correr em direção a casa, onde uma de suas irmãs a puxou para dentro, não sem que antes o estranho a tivesse alcançado nos degraus e a arranhado nos braços e pescoço. O atacante continuou batendo na porta por algum tempo antes de fugir. Testemunhas disseram que Spring Heeled Jack deixou seu casaco ao fugir, e uma outra pessoa foi vista logo depois pegando o casaco e o levando dali, o que levou a policia a acreditar que Jack teria um cúmplice.

Um certo Thomas Millbank chegou a ser preso sob suspeita, quando, pouco tempo após o ataque a Jane Alsop, ele teria se vangloriado no bar Morgan’a Arms de que ele era Jack, e de que tinha assustado Jane Alsop, mas logo as afirmações foram desmentidas e Millbank foi liberado por ser incapaz de provar como ele havia feito todos os ataques e prodígios realizados por Spring Heeled Jack.

Saltando para a fama

Após estes incidentes, Spring Heeled Jack se tornou um dos personagens mais populares da época, mesmo com o medo que inspirava. Seus feitos eram relatados nos jornais, e ele se tornou protagonista de diversos folhetins e Penny Dreadfuls, bem como peças e espetáculos dos teatros populares que abundavam. Em muitos teatros de fantoches, o diabo da história de Punch & Judy foi renomeado Spring Heeled Jack.

Mas mesmo com sua fama crescendo, os avistamentos de Spring Heeled Jack se tornaram menos frequentes, parando por um curto período antes de voltarem em 1843 quando uma nova onda de ataques começou. Em Norrthamptonshire, ele foi descrito como “a própria imagem do diabo, com chifres e olhos chamejantes”, e em East Anglia os ataques aos coches mensageiros se tornaram comuns.


No inicio de 1870, Spring Heeled Jack continuou a ser avistado em diversos locais. Em Novembro de 1872, o jornal News of the World reportou que Peckham estava em um “estado de comoção devido a uma misteriosa figura de aparência alarmante” afirmando que ele não era outro que não Spring Heeled Jack, que já havia aterrorizado a geração anterior. Histórias similares foram publicadas no The Illustrated Police News. Em Abril e Maio de 1873 ele voltou a aparecer diversas vezes em Sheffield.

Essas noticias continuaram frequentes, em Caistor, Newfolk, diveras pessoas avistaram Spring Heeled Jack viajando através da cidade pulando de telhado em telhado, e relatos similares ocorreram em Londres. Em Agosto de 1877, um dos relatos mais notáveis sobre Spring Heeled Jack veio de um grupo de soldados em Aldershot. Um certo soldado Hohn Regan estava de sentinela quando escutou o barulho de alguém arrastando algo metálico na estrada. O soldado foi investigar, e não achando nada, voltou ao seu posto. 

Regan escutou o barulho novamente, e foi investigar, desta vez avistou uma figura na estrada, mas que saltou e desapareceu na escuridão, ao voltar, Regan surpreendeu-se a o ver Spring Heeled Jack ao seu lado, cuspindo chamas azuis, Jack começou a estapear o rosto do soldado com “mãos frias de cadáver” enquanto gargalhava. Outro guarda disparou um tiro contra Jack, mas sem que houvesse qualquer efeito.

Jack então saltou uma incrível distância noite a dentro, rindo, enquanto os outros soldados atiravam nele.


Em suas memórias “Forty Years On” Lord Ernest Hamilton relata as aparições de Spring Heeled Jack. Ele conta que seu regimento havia se mudado para Aldershot, e que aparições similares ocorreram quando estavam em Colchester no inverno anterior. Hamilton afirma que achava que as aparições fossem brincadeiras feitas por um de seus companheiros, um certo Tenente Alfrey, até que presenciou Spring Heeled Jack saltando mais de nove metros e cuspindo chamas azuis de sua boca no rosto do sentinela. O sentinela descreveu seu atacante como um homem alto e magro usando um capacete e uma roupa de lona branca, e que tiros pareciam não surtir efeito contra ele.

Um mês depois, em Lincolnshire, Spring Heeled Jack foi visto saltando de casa em casa. Assim como ocorreu em Aldershot, os residentes atiraram nele, desta vez com rifles, sem que isso tivesse efeito algum. 

As testemunhas atestaram que os tiros que atingiam Spring Heeled Jack faziam um barulho como se estivessem atingindo um objeto metálico.


Em Janeiro de 1879 Spring Heeled Jack atacou mais carruagens que atravessavam pontes em Birmingham e Liverpool, vestido de negro e com olhos luminosos cor de laranja, Jack saltou sobre os cavalos, soltando as parelhas das carruagens.

Pelo fim do século XIX, os avistamentos de Spring Heeled Jack se moviam para o oeste da Inglaterra. Em 1888, em Everton, norte de Liverpool, ele teria aparecido pulando do telhado da igreja de São Francisco, na rua Salisbury. Obervadores disseram que ele saltou da beirada do telhado direto para o chão. Pensando se tratar de um suicida, os transeuntes se apressaram para o ponto onde ele teria caído, apenas para achar um homem de pé, os aguardando. O homem usava uma roupa branca sob um casaco negro e um capacete. 

Ele caminhou em direção a multidão e saltou para o ar, ganhando os telhados das casas em um único pulo, e indo em direção a William Henry Street, onde continuou sendo avistado até 1904.


Um dos últimos avistamentos ocorreu em 1920, na Estação Central de Londres, onde um homem vestido de branco foi visto saltando de telhado em telhado até desaparecer nas ruas.

Ninguém nunca conseguiu capturar ou identificar Spring Heeled Jack; combinando isso com suas extraordinárias habilidades, e o longo período de tempo pelo qual agiu, vários tipos de teorias sobre sua identidade surgiram. E enquanto muitos pesquisadores procuram uma explicação mais racional para os eventos, outros preferem se focar nos detalhes mais fantásticos da história e propor uma especulação mais ampla. Outros ainda ignoram todos os registros e classificam o caso como histeria em massa derivada de mitos como o do homem que é perseguido pelo diabo nos telhados das casas, e com contribuições de fatores sociológicos.

Explicações paranormais também são abundantes, como a de que ele seria um alienígena com aparência semi-humana, agilidade super-humana (derivada da vida em um mundo de alta gravidade), e características como olhos vermelhos retro-reflexivos e halito de fósforo; ou então de que seria um demônio, invocado acidentalmente, ou deliberadamente por ocultistas, e que se manifestava apenas para criar caos.

Spring Heeled Jack aparentava ser humano, e poderia ser visto como um criminoso comum, mas devido as habilidades extraordinárias que exibia (seus saltos, que quebrariam as pernas e quadril se um humano os tentasse replicar), e ao fato de nunca ter sido pego pelas autoridades, ele pode ser classificado como um dos chamados “atacantes fantasmas”, como o “Gaseador louco de Mattoon”por exemplo.

A possibilidade de Spring Heeled Jack ter sido uma pessoa também existe, e se encaixa nas explicações mais “racionais” embora certos pontos sejam controversos. Essa alternativa também explicaria por que ele nunca foi capturado, por seria ligado a nobreza.

Um dia após o ataque a Jane Alsop, outro incidente ocorreu em Turner Street. Mais uma vez, Spring Heeled Jack bateu em uma porta, e quando foi atendido pediu para falar com o senhor da casa, o Sr. Ashworth. O valete ia chamar seu mestre quando o visitante saiu das sombras em que se encontrava do lado de fora, e o garoto percebeu quem era o estranho que possuía olhos alaranjados brilhando e garras metálicas nas mãos. Spring Heeled Jack então empurrou o garoto e saltou sobre a casa, seguindo pelos telhados de Commercial Road. O jovem valete pode identificar mais uma evidência, pois percebeu que sob a capa, Spring Heeled Jack tinha algo que lembrava uma letra ‘W’ dourada sobre o peito, como um brasão.

Isso levou a policia a suspeitar de Henry de La Poer Beresford , o Marquês de Waterford. O Marquês era um nobre Irlandês, conhecido pelo seu temperamento, e senso de humor peculiar e muitas vezes cruel. 


Apelidado de “O Marquês maluco” , Waterford aparecia frequentemente nos jornais por conta de suas brigas, bebedeiras, peças brutais e vandalismo, e é sabido que estava em Londres quando os primeiros ataques ocorreram. Entretanto, os ataques continuaram por muito tempo após a morte do Marquês em 1859.

Em 1880 o reverendo E. Cobham Brewer atestou que o Marquês “costumava se divertir saltando em viajantes incautos, para assustá-los, e de tempos em tempos outros seguiam seu tolo exemplo e faziam o mesmo”, essa ideia parece ser aceita entre muitas pessoas, que acreditam que Spring Heeled Jack não seria uma criatura sobrenatural, e sim uma pessoa, ou mais pessoas, dotadas de um senso de humor macabro. O papel do Marquês de Waterford nesta questão tem sido aceito por vários pesquisadores, que sugerem que uma experiência humilhante envolvendo uma mulher e um oficial de policia podem ter dado a ele a ideia de criar o personagem como uma maneira de “acerto de contas” com a policia e mulheres em geral. Especula-se que o Marquês teria desenvolvido uma especie de aparato para botas com molas no calcanhar que o permitiam saltar; e os contatos do Marquês, que era sabido ter amigos especializados em mecânica aplicada, teriam permitido a construção de tais aparelhos, tal qual um suporte que impedisse que fraturasse o quadril ao praticar os saltos. Também é possível que o Marquês tenha praticado técnicas de pirofgia para incrementar as características sobrenaturais do personagem. Mas se isso é a verdade, ou apenas uma remota possibilidade, é impossível saber.

A lenda criada ao redor de Spring Heeled Jack influenciou diversos aspectos da vida vitoriana, inclusive na cultura popular, pois assim que o primeiro incidente se tornou publico, Jack se tornou um personagem ficcional de sucesso, sendo usado como protagonista de diversos penny dreadfuls de 1840 até 1904, em muitos dos quais era retratado com um ex membro da nobreza que assumia a identidade de Spring Heeled Jack em ordem de reclamar sua fortuna e resolver injustiças. Uma antecipação de diversas características que se tornariam populares nas histórias de super-heróis.

Durante décadas e décadas, seu nome foi usado como uma espécie de bicho-papão para as crianças londrinas, e como personagem de peças ou filmes. E isso continua até hoje, como por exemplo nos livros“Spring Heel’d Jack” de Max Holt, e “Spring-Heeled Jack” de Philip Pullman, “The Strange Affair of Spring Heeled Jack”, de Mark Hodder, ou nas graphic novels “Springheeled Jack” de David Hitchcock, e “Captain Swing and the Electrical Pirates of Cindery Island”, de Warren Ellis.

As aparições de Spring Heeled Jack, embora não tão frequentes, também continuaram ao decorrer dos anos, em diversos locais. Uma figura que foi apelidade Pérák, o Homem Mola de Praga foi visto na Checoslováquia de 1939 até 1945, se tornando uma espécie de herói folclórico.

E em Junho de 1953, uma figura que batia com a descrição de Jack foi vista sobre uma árvore no jardim de um prédio em Houston, Texas. Os moradores que o avistaram descreveram-no como um homem “usando uma capa negra, calças justas brancas e botas”. Em South Herefordshire, fronteira do Pais de Gales, um caixeiro viajante chamado Marshall afirmou ter visto Spring Heeled Jack em 1986. Ele usava o que o caixeiro descreveu como uma “roupa negra de esquí” e tinha um queixo pontudo e comprido.



Desde que saltou das sombras em 1837, Spring Heeled Jack permaneceu um mistério, sua identidade, seus propósito, nada disso foi descoberto, e é provável que nunca seja. Mas talvez seja melhor assim. Pode ser que se o caso tivesse sido resolvido, e a verdadeira natureza de Jack tivesse sido revelada, não estaríamos falando dele aqui hoje.


sábado, 13 de abril de 2013

A pata do macaco


Lá fora, a noite estava fria e úmida, mas na pequena sala de visitas de Labumum Villa os postigos estavam abaixados e o fogo queimava na lareira. Pai e filho jogavam xadrez: o primeiro tinha idéias sobre o jogo que envolviam mudanças radicais, colocando o rei em perigo tão desnecessário que até provocava comentários da velha senhora de cabelos brancos, que tricotava serenamente perto do fogo.
 – Ouça o vento — disse o Sr. White, que, tendo visto tarde demais um erro fatal, queria evitar que o filho o visse.
 – Estou escutando — disse o último, estudando o tabuleiro ao esticar a mão.
 – Xeque.
 – Eu duvido que ele venha hoje à noite — disse o pai, com a mão parada em cima do tabuleiro.
 – Mate — replicou o filho.
 – Essa é a desvantagem de se viver tão afastado — vociferou o Sr. White, com um a violência súbita e inesperada. — De todos os lugares desertos e lamacentos para se viver, este é o pior. O caminho é um atoleiro, e a estrada uma torrente. Não sei o que as pessoas têm na cabeça. Acho que, como só sobraram duas casas na estrada, elas acham que não faz mal.
 – Não se preocupe, querido — disse a esposa em tom apaziguador. — Talvez você ganhe a próxima partida.
 O Sr. White levantou os olhos bruscamente a tempo de perceber uma troca de olhares entre mãe e filho. As palavras morreram em seus lábios, e ele escondeu um sorriso de culpa atrás da barba fina e grisalha.
 – Aí vem ele — disse Herbert White, quando o portão bateu ruidosamente e passos pesados se aproximaram da porta.
 O velho levantou-se com uma pressa hospitaleira e, ao abrir a porta, foi ouvido cumprimentando o recém chegado. Este também o cumprimentou, e a Sra. White tossiu ligeiramente quando o marido entrou na sala, seguido por um homem alto e corpulento, com olhos pequenos e nariz vermelho.
 – Sargento Morris — disse ele, apresentando-o.
 O sargento apertou as mãos e, sentando-se no lugar que lhe ofereceram perto do fogo, observou satisfeito o anfitrião pegar uísque e copos, e colocar uma pequena chaleira de cobre no fogo.
 Depois do terceiro copo, seus olhos ficaram mais brilhantes, e ele começou a falar, o pequeno círculo familiar olhando com interessante este visitante de lugares distantes, quando ele empertigou os ombros largos na cadeira e falou de cenários selvagens e feitos intrépidos: de guerras, pragas e povos estranhos.
 – Vinte e um anos nessa vida — disse o Sr. White, olhando para a esposa e o filho. — Quando ele foi embora era um rapazinho no armazém. Agora olhem só para ele.
 – Ele não parece ter sofrido muitos reveses — disse a Sra. White amavelmente.
 – Eu gostaria de ir à Índia — disse o velho — só para conhecer, compreende?
 – Você está bem melhor aqui — disse o sargento, sacudindo a cabeça. Pôs o copo vazio na mesa e, suspirando baixinho, sacudiu a cabeça novamente.
 – Eu gostaria de ver aqueles velhos templos, os faquires e os nativos — disse o velho. — O que foi que você começou a me contar outro dia sobre uma pata de macaco ou algo assim Morris?
 – Nada — disse o soldado rapidamente. — Não é nada de importante.
 – Pata de macaco? — perguntou a Sra. White, curiosa.
 – Bem, é só um pouco do que se poderia chamar de magia, talvez — disse o sargento com falso ar distraído.
 Os três ouvintes debruçaram-se nas cadeiras interessados. O visitante levou o copo vazio à boca distraidamente e depois recolocou-o onde estava. O dono da casa tornou a enchê–lo.
 – Aparentemente — disse o sargento, mexendo no bolso — é só uma patinha comum dissecada.
 Tirou uma coisa do bolso e mostrou-a. A Sra. White recuou com uma careta, mas o filho, pegando-a, examinou-a com curiosidade.
 – E o que há de especial nela? — perguntou o Sr. White ao pegá–la da mão do filho e, depois de examiná–la, colocá–la sobre a mesa.
 – Foi encantada por um velho faquir — disse o sargento –, um homem muito santo. Ele queria provar que o destino regia a vida das pessoas, e que aqueles que interferissem nele seriam castigados. Fez um encantamento pelo qual três homens distintos poderiam fazer, cada um, três pedidos a ela.
 A maneira dele ao dizer isso foi tão solene que os ouvintes perceberam que suas risadas estavam um pouco fora de propósito.
 – Bem, por que não faz os seus três pedidos, senhor? — disse Herbert White astutamente.
 O soldado olhou para ele como olham as pessoas de meia–idade para um jovem presunçoso.
 – Eu fiz — disse ele calmamente, e seu rosto marcado empalideceu.
 – E teve mesmo os três desejos satisfeitos? — perguntou a Sra. White.
 – Tive — disse o sargento, e o copo bateu nos dentes fortes.
 – E alguém mais fez os pedidos? — insistiu a senhora.
 – O primeiro homem realizou os três desejos — foi a resposta. — Eu não sei quais foram os dois primeiros, mas o terceiro foi para morrer. Por isso é que consegui a pata.
 Seu tom de voz era tão grave que o grupo ficou em silêncio.
 – Se você conseguiu realizar os três desejos, ela não serve mais para você Morris — disse o velho finalmente. — Para que você guarda essa pata?
 O soldado meneou a cabeça.
 – Por capricho, suponho — disse lentamente. — Cheguei a pensar em vendê–la, mas acho que não o farei. Ela já causou muitas desgraças. Além disso, as pessoas não vão comprar. Acham que é um conto de fadas, algumas delas; e as que acreditam querem tentar primeiro para pagar depois.
 – Se você pudesse fazer mais três pedidos — disse o velho, olhando para ele atentamente –, você os faria?
 – Eu não sei — disse o outro. — Eu não sei.
 Pegou a pata e, balançando-a entre os dedos, de repente jogou-a no fogo.
 White, com um ligeiro grito, abaixou-se e tirou-a de lá.
 – É melhor deixar que ela se queime — disse o soldado solenemente.
 – Se você não quer mais, Morris — disse o outro –, me dá.
 – Não — disse o amigo obstinadamente. — Eu a joguei no fogo. Se você ficar com ela, não me culpe pelo que acontecer. Jogue isso no fogo outra vez, como um homem sensato.
 O outro sacudiu a cabeça e examinou sua nova aquisição atentamente.
 – Como você faz para pedir? — perguntou.
 – Segure a pata na mão direita e faça o pedido em voz alta — disse o sargento –, mas eu o advirto sobre as conseqüências.
 – Parece um conto das Mil e uma noites — disse a Sra. White, ao se levantar e começar a pôr o jantar na mesa. — Você não acha que deveria pedir quatro pares de mão para mim?
 – Se quer fazer um pedido — disse ele asperamente –, peça algo sensato. O Sr. White colocou a pata no bolso novamente e, arrumando as cadeiras acenou para que o amigo fosse para a mesa. Durante o jantar o talismã foi parcialmente esquecido, e depois os três ficaram escutando, fascinados, um segundo capítulo das aventuras do soldado na Índia.
 – Se a história sobre a pata de macaco não for mais verdadeira do que as que nos contou — disse Herbert, quando a porta se fechou atrás do convidado, que partiu a tempo de pegar o último trem–, nós não devemos dar muito crédito a ela.
 – Você deu alguma coisa a ele por ela, papai? — perguntou a Sra. White, olhando para o marido atentamente.
 – Pouca coisa — disse ele, corando ligeiramente. — Ele não queria aceitar, mas eu o fiz aceitar. E ele tornou a insistir que eu jogasse fora.
 – É claro — disse Herbert, fingindo estar horrorizado. — Ora, nós vamos ser ricos, famosos e felizes. Peça para ser um imperador, papai, para começar, então você não vai ser mais dominado pela mulher.
 Ele correu em volta da mesa, perseguido pela Sra. White armada com uma capa de poltrona.
 O Sr. White tirou a pata do bolso e olhou para ela dubiamente.
 – Eu não sei o que pedir, é um fato — disse lentamente. — Eu acho que tenho tudo o que quero.
 – Se você acabasse de pagar a casa ficaria bem feliz, não ficaria? — disse Herbert, com a mão no ombro dele. — Bem, peça 200 libras, então, isso dá.
 O pai, sorrindo envergonhado pela própria ingenuidade, segurou o talismã, quando o filho, com uma cara solene, um tanto franzida por uma piscadela de olhos para a mãe, sentou-se no piano e tocou alguns acordes para fazer fundo.
 – Eu desejo 200 libras — disse o velho distintamente.
 Um rangido do piano seguiu-se às palavras, interrompido por um grito estridente do velho. A mulher e o filho correram até ele.
 – Ela se mexeu — gritou ele, com um olhar de nojo para o objeto caído no chão. — Quando eu fiz o pedido, ela se contorceu na minha mão como uma cobra.
 – Bem, eu não vejo o dinheiro — disse o filho ao pegá–la e colocá–la em cima da mesa — e aposto que nunca vou ver.
 – Deve ter sido imaginação sua, papai — disse a esposa, olhando para ele ansiosamente.
 Ele sacudiu a cabeça.
 – Não faz mal, não aconteceu nada, mas a coisa me deu um susto assim mesmo.
 Eles se sentaram perto do fogo novamente enquanto os dois homens acabavam de fumar cachimbos. Lá fora, o vento zunia mais do que nunca, e o velho teve um sobressalto com o barulho de uma porta batendo no andar de cima. Um silêncio estranho e opressivo abateu-se sobre todos os três, e perdurou até o velho casal se levantar e ir dormir.
 – Eu espero que vocês encontrem o dinheiro dentro de um grande saco no meio da cama — disse Herbert, ao lhes desejar boa noite — e algo terrível agachado em cima do armário observando vocês guardarem seu dinheiro maldito.
 Ficou sentado sozinho na escuridão, olhando para o fogo baixo e vendo caras nele. A última cara foi tão feia e tão simiesca que ele olhou para ela assombrado. A cara ficou tão vivida que, com uma risada inquieta, ele procurou um copo na mesa que tivesse um pouco de água para jogar no fogo. Sua mão pegou na pata de macaco, e com um ligeiro estremecimento ele limpou a mão no casaco e foi dormir.
– Eu creio que todos os velhos soldados são iguais — disse a Sra. White. — Essa idéia de dar ouvidos a tal tolice! Como é que se pode realizar desejos hoje em dia? E se fosse possível, como é que iam aparecer 200 libras, papai?Na claridade do sol de inverno, na manhã seguinte, quando este banhou a mesa do café, ele riu de seus temores. Havia um ar de naturalidade na sala que não existia na noite anterior, e a pequena pata suja estava jogada na mesa de canto com um descuido que não atribuia grande crença a suas virtudes.
 – Morris disse que as coisas aconteciam com tanta naturalidade — disse o pai — que a gente podia até achar que era coincidência.– caindo do céu, talvez — disse Herbert, com ar brincalhão.
 – Bem, não gaste o dinheiro antes de eu voltar — disse Herbert, ao se levantar da mesa. — Estou com medo de que você se torne um homem mesquinho e avarento, e vamos ter de renegá–lo.
 A mãe riu e, acompanhando-o até a porta, viu-o descer a rua. Voltando à mesa do café, divertiu-se à custa da credulidade do marido. O que não a impediu de correr até a porta com a batida do carteiro, nem de se referir a sargentos da reserva com vício de beber, quando descobriu que o correio trouxera uma conta do alfaiate.
 – Herbert vai dizer uma das suas gracinhas quando chegar em casa — disse ela, quando se sentaram para jantar.
 – Com certeza — disse o Sr. White, servindo-se de cerveja –, mas, apesar de tudo, a coisa se mexeu na minha mão; eu posso jurar.
 – Foi impressão — disse a senhora apaziguadoramente.
 – Estou dizendo que se mexeu — replicou o outro. — Não há dúvida; eu tinha acabado… O que houve?
 A mulher não respondeu. Estava observando os movimentos misteriosos de um homem do lado de fora, que, espiando com indecisão para a casa, parecia estar tentando tomar a decisão de entrar. Lembrando-se das 200 libras, ela reparou que o estranho estava bem–vestido e usava um chapéu de seda novo.
 Por três vezes ele parou no portão, e depois caminhou novamente. Da quarta vez ficou com a mão parada sobre ele, e depois com uma súbita resolução abriu-o e entrou. A Sra. White no mesmo momento desamarrou o avental rapidamente, colocando-o debaixo da almofada da cadeira. Convidou o estranho, que parecia deslocado, a entrar. Ele olhou para ela furtivamente, e ouviu preocupado, a senhora desculpar-se pela aparência da sala, e pelo casaco do marido, uma roupa que ele geralmente reservava para o jardim. Então ela esperou, com paciência, que ele falasse do que se tratava, mas, a princípio, ele ficou estranhamente calado.
 – Eu… pediram–me para vir aqui — disse ele finalmente, e abaixando-se tirou um pedaço de algodão das calças. — Eu venho representando “Maw&Meggins”.
 A senhora sobressaltou-se.
 – Aconteceu alguma coisa? — perguntou ela, ofegante — Acontecem alguma coisa a Herbert? O que é? O que é?
 O marido interveio.
 – Calma, calma, mamãe — disse ele rapidamente. — Sente-se e não tire conclusões precipitadas. O senhor certamente não trouxe más notícias, não é, senhor — e olhou para o outro ansiosamente.
 – Eu lamento… — começou o visitante.
 – Ele está ferido? — perguntou a mãe desesperada.
 O visitante assentiu com a cabeça.
 – Muito ferido — disse. — Mas não está sofrendo.
 – Ah, graças a Deus! — disse a senhora, apertando as mãos. — Graças a Deus! Graças…
 Parou de falar de repente quando o significado sinistro da afirmativa se abateu sobre ela, e ela viu a terrível confirmação de seus temores no rosto desviado do outro. Prendeu a respiração e, virando-se para o marido, menos perspicaz, pôs a mão trêmula sobre a dele. Seguiu-se um demorado silêncio.
 – Ele foi apanhado pela máquina — repetiu o Sr. White, estonteado. — Ah! sim.
 Ficou sentado olhando para a janela e, tomando a mão da esposa entra as suas, apertou-a como tinha vontade de fazer nos velhos tempos de namoro há quase 40 anos.
 – Ele era o único que nos restava — disse ele, voltando-se amavelmente para o visitante. — É difícil.
 O outro tossiu e, levantando-se, caminhou lentamente até a janela.
 – A firma me pediu para transmitir os nossos sinceros pêsames a vocês por sua grande perda — disse ele, sem olhar para trás. — Eu peço que compreendam que sou apenas um empregado da firma e estou apenas obedecendo ordens.
 Não houve resposta; o rosto da senhora estava branco, os olhos parados e a respiração inaudível; no rosto do marido havia um olhar que o amigo sargento talvez tivesse na primeira batalha.
 – Devo dizer que “Maw&Meggins” estão isentos de toda responsabilidade — continuou o outro. — Eles não têm nenhuma dívida com a família, mas, em consideração aos serviços de seu filho, desejam presenteá–los com uma certa soma como compensação.
 O Sr. White largou a mão da esposa e, pondo-se de pé, olhou para o visitante horrorizado. Seus lábios secos pronunciaram as palavras:
 – Quanto?
 – Duzentas libras — foi a resposta.
 Indiferente ao grito da esposa, o velho sorriu fracamente, estendeu as mãos como um homem cego e caiu, desfalecido, no chão.
 No enorme cemitério novo, a alguns quilômetros de distância, os velhos enterraram seu morto e voltaram para casa mergulhada em sombras e silêncio. Tudo terminara tão rápido que a princípio nem se davam conta do que acontecera, e ficaram num estado de expectativa como se fosse acontecer mais alguma coisa — algo mais que aliviasse esse fardo, pesado demais para corações velhos.
 Mas os dias se passaram, e a expectativa deu lugar à resignação — a resignação desesperançada dos velhos, às vezes chamada erradamente de apatia. Algumas vezes nem trocavam uma palavra, pois agora não tinham nada do que falar e os dias eram compridos e desanimados.
 Foi por volta de uma semana depois que o velho, acordando subitamente de noite, estendeu o braço e viu-se sozinho. O quarto estava no escuro e o ruído de soluços baixinhos vinha da janela. Ele se levantou na cama e ficou ouvindo.
 – Volte para a cama — disse ele ternamente. — Você vai ficar gelada.
 – Está mais frio para ele — disse a senhora, e chorou novamente.
 O som de seus soluços apagou-se nos ouvidos dele. A cama estava quente, e seus olhos pesados de sono. Ele cochilava a todo instante e acabou pegando no sono, quando um súbito grito histérico da esposa o despertou com um sobressalto.
 – A pata! — gritou histericamente. — A pata de macaco!
 Ele se levantou, alarmado.
 – Onde? Onde está? O que houve?
 Ela correu agitada até ele.
 – Eu quero a pata — disse ela calmamente. — Você não a destruiu?
 – Está na sala, em cima da prateleira — replicou ele atônito. — Por quê?
 Ela chorou e riu ao mesmo tempo e, debruçando-se, beijou-o no rosto.
 – Só tive essa idéia agora — disse ela histericamente. — Por que não pensei nisso antes? Por que você não pensou nisso antes?
 – Pensar em quê? — perguntou ele.
 – Nos outros dois desejos — replicou ela rapidamente. — Nós só fizemos um pedido.
 – Não foi suficiente? — perguntou ele, irado.
 – Não — gritou ela, triunfante; — ainda vamos fazer um.
 Desça, apanhe a pata rapidamente, e deseje que o nosso filho viva novamente.
 O homem sentou-se na cama e arrancou as cobertas de cima do corpo trêmulo.
 – Meu bom Deus, você está louca! Gritou ele, horrorizado.
 – Pegue aquela coisa — disse ela, ofegante –, pegue depressa, e faça o pedido… Ah, meu filho, meu filho!
 O Marido riscou um fósforo e acendeu a vela.
 – Volte para a cama — disse ele, incerto. — Você não sabe o que está dizendo.
 – Nós conseguimos satisfazer o primeiro pedido — disse a senhora, febrilmente. — Por que não o segundo?
 – Foi uma coincidência — gaguejou o velho.
 – Vá buscar a pata e faça o pedido — gritou a esposa, tremendo de excitação.
 O velho virou-se, olhou para ela, e sua voz tremeu.
 – Ele já está morto há 10 dias e, além disso, ele… — eu não queria lhe dizer isso, mas… só consegui reconhecê–lo pela roupa. Se já estava tão horrível para você ver, imagine agora?
 – Traga-o de volta — gritou a senhora, e o arrastou para a porta. — Você acha que tenho medo do filho que criei?
 Ele desceu na escuridão, foi tateando até a sala e depois até a lareira. O talismã estava no lugar, e um medo horrível de que o desejo ainda não expresso pudesse trazer o filho mutilado apossou-se dele, e ficou sem ar ao perceber que perdera a direção da porta. Com a testa fria de suor, ele deu volta na mesa, tateando, e foi-se amparando na parede até se achar no corredor com a coisa nociva na mão.
 Até o rosto da esposa parecia mudado quando ele entrou no quarto. Estava branco e ansioso, e para seu temor parecia ter um olhar estranho. Ele sentiu medo dela.
 – Peça! — gritou ela, com voz forte.
 – Isso é loucura — disse ele, com voz trêmula.
 – Peça! — repetiu a esposa.
 Ele levantou a mão.
 – Eu desejo que meu filho viva novamente.
 O talismã caiu no chão, e ele olhou para a coisa com medo.
 Então afundou numa cadeira, trêmulo, quando a esposa, com os olhos ardentes, foi até a janela e levantou a persiana.
 Ficou sentado até ficar arrepiado de frio, olhando ocasionalmente para a figura da velha senhora espiando pela janela.
 O cotoco de vela, que queimara até a beirada do castiçal de porcelana, jogava sombras sobre o teto e as paredes, até que, com um bruxulear maior do que os outros, se apagou. O velho, com uma imensa sensação de alívio pelo fracasso do talismã, voltou para a cama, e um ou dois minutos depois a senhora veio silenciosamente para o seu lado.
 Nenhum dos dois disse nada, mas permaneceram deitados em silêncio, ouvindo o tique–taque do relógio. Um degrau rangeu, e um rato correu guinchando através do muro. A escuridão era opressiva e, depois de ficar deitado por algum tempo, criando coragem, ele pegou a caixa de fósforos e, acendendo um, foi até embaixo para pegar uma vela.
 Nos pés da escada o fósforo se apagou, e ele parou para riscar outro; no mesmo momento ouviu-se uma batida na porta da frente, tão baixa e furtiva que quase não se fazia ouvir.
 Os fósforos caíram–lhe da mão e espalharam-se no corredor. Ele permaneceu imóvel, com a respiração presa até a batida se repetir. Então virou-se e fugiu rapidamente para o quarto, fechando a porta atrás de si.
 Uma terceira batida ressoou pela casa.
 – O que é isso? — gritou a senhora, levantando-se.
 – Um rato — disse o velho com voz trêmula –, um rato. Ele passou por mim na escada.
 A esposa sentou-se na cama, escutando. Uma batida alta ressoou pela casa.
 – É Herbert! — gritou. — É Herbert!
 Ela correu até a porta, mas o marido ficou na frente dela e, pegando-a pelo braço, segurou-a com força.
 – O que você vai fazer? — sussurrou ele com voz rouca.
 – É meu filho; é Herbert! — gritou ela, debatendo-se mecanicamente. — Eu esqueci que ele estava a 10 quilômetros daqui. Por que está me segurando? Me solte. Eu tenho de abrir a porta.
 – Pelo amor de Deus não deixe entrar — gritou o velho tremendo.
 – Você está com medo do próprio filho — gritou ela, debatendo-se. — Me solte. Eu já vou, Herbert; eu já vou.
 Ouviu-se mais uma batida, e mais outra. A senhora com um arrancão súbito soltou-se e saiu correndo do quarto. O marido seguiu-a até a escada e chamou-a enquanto ela corria para baixo. Ele ouviu a corrente chocalhar e a tranca do chão ser puxada lenta e firmemente do lugar. Então a voz da senhora soou, nervosa e ofegante.
 – A tranca — gritou ela alto. — Desça que eu não consigo puxar a tranca.
 Mas o marido estava de joelhos no chão, procurando a pata desesperadamente. Se pelo menos conseguisse encontrá–la antes que a coisa entrasse. Uma série de batidas reverberou pela casa, e ele ouviu o arrastar de uma cadeira quando a esposa a colocou no corredor encostada na porta. Ouviu o ranger da tranca quando esta se destravou lentamente, e no mesmo momento encontrou a pata de macaco, e desesperadamente fez o terceiro e último pedido.
 As batidas pararam subitamente, embora ainda ecoassem na casa. Ele ouviu a cadeira ser arrastada de volta, e a porta se abrir. Um vento frio subiu pela escada, e um gemido alto e demorado de decepção e tristeza da esposa lhe deu coragem para correr até ela e depois até o portão. O lampião da rua que tremulava do outro lado brilhava numa estrada silenciosa e deserta.




terça-feira, 9 de abril de 2013

A Expressão


Em 1972 um fato intrigante e até hoje sem explicação assustou médicos e enfermeiros do hospital CedarSenai.
Conta a história que uma mulher estranha apareceu no hospital, usando roupas brancas manchadas de sangue, mas o que mais chamava a atenção nela é que não parecia humana. A mulher tinha o rosto perfeito, como se fosse uma boneca, mas não tinha sombrancelhas e sua pele era branca, como se estivesse usando muita maquiagem.
Mas a surpresa do rosto de boneca dava lugar ao terror, ao ver suas enormes presas, que escondiam os demais dentes. Ela ainda sangrava muito, de repente jogou o sangue pra fora de sua boca e “entrou em colapso”.
A mulher foi imediatamente levada a um quarto limpo, antes de ser sedada, onde ficou totalmente calma e inexpressiva, sem qualquer reação, quando os médicos resolveram chamar as autoridades.
Ela não falava nada e ninguém conseguia olhar muito tempo para ela, havia algo que causava desconforto em sua aparência.
Já no segundo dia não foi tão fácil, a mulher já apresentava uma força extrema e lutava com os enfermeiros, era necessário duas pessoas para segurá-la. Neste momento seu corpo inexplicavelmente se levantou da cama, seu rosto não tinha expressão alguma. De repente ela sorriu ao olhar para um médico, expressão que ela não havia mostrado até então.
Naquele momento o médico apavorado, gritou ao ver os dentes da mulher, “longos e com pontas afiadas”. Antes que o médico perguntasse “o que diabos é você?", a mulher “rachou seu pescoço até os ombros para observá-lo, ainda sorrindo”.
Em meio há um silêncio apavorante, a segurança foi chamada, porém a medida que se aproximava do quarto, a mulher avançou “afundando seus dentes na garganta do médico, rasgando sua jugular, causando sua morte por asfixia enquanto ele se engasgava com seu próprio sangue”
A mulher então abaixou-se sobre o corpo do médico, já quando ele estava sem vida e, aproximando-se falou baixo em seu ouvido: “I…am…God…”(Eu…sou…Deus).
A equipe aterrorizada já esperava a morte.
Não se sabe o que aconteceu com a mulher, nunca mais ninguém a viu ou ouviu falar dela.
Uma médica que conseguiu sobreviver a chamou de “A expressão".